sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"La Flor de Mi Secreto" (Almodóvar, 1995)

À umas semanas atrás decidi partir à descoberta do mundo de Pedro Almodóvar através dos seus filmes, filmes estes que deram ao realizador prestigio e reconhecimento público um pouco pelo mundo inteiro.
Após ter visto algumas das suas películas e, continuando na minha senda, vi La Flor de Mi Secreto.
Este filme chamou-me à atenção pela narrativa e, principalmente, pelo papel desempenhado por Marisa Paredes, aproveito para frisar que foi um excelente desempenho, confirmando as criticas tecidas na época à actriz espanhola. Não existe nenhuma personagem interpretada por Penélope Cruz, nem prostitutas, nem homossexuais e travestis, como costuma ser usual em alguns filmes de Almodóvar e, também por esta razão este filme mereceu a minha atenção. Das actrizes favoritas de Almodóvar aparece Rossy de Palma, no papel de irmã da personagem interpretada por Marisa Paredes e Chus Lampreave, que interpreta a mãe das personagens de Rossy de Palma e da personagem principal do filme.
Confesso que, até agora, o filme que mais me fascinou foi o Volver (2006) e destaco que em La Flor de Mi Secreto há uma breve referencia à história que iria dar vida a Volver, anos mais tarde.
Relativamente a este filme espanhol de Almodóvar,  Marisa Paredes interpreta Leo (diminutivo de Leocádia) uma escritora que, escrevendo sob o pseudónimo de Amanda Gris, mantém um contrato com uma editora para escrever cinco romances cor-de-rosa por ano, porém este tipo de romances nada tinham a ver com a vida pessoal da escritora nem com as suas pretensões literárias.
Mas aquilo que mais achei interessante nesta filme foi a forma sensível como Almodóvar descreveu a vida pessoal de Leo evidenciando uma belíssima interpretação de Marisa Paredes, como já tinha referido.
Fora o sucesso dos romances de Amanda Gris, Leo vive num casamento que à muito tempo estava terminado mas que ela continuava a alimentar devido ao grande amor, um tanto ou quanto obsessivo, que nutria por Paco, seu marido. A sua vida gira em volta do retorno de Paco, que se encontra em Bruxelas devido à guerra (pois Paco era um soldado). Leo acaba por compensar a frustração do seu casamento na bebida e medicamentos contudo, quando descobre que Paco a traía com a sua melhor amiga e com a ajuda de um jornalista, que por ela estava apaixonado, a vida de Leo vai mudar completamente...
Em forma de conclusão, quero incentivar aqueles que possam estar a ler este post para, tal como eu, conhecer as obras de Almodóvar, caso ainda não conheçam. 
Em relação a esta película destaco a personagem de Leo, pois adorei-a.

domingo, 21 de novembro de 2010

PARABÉNS A MIM!!!

PARABÉNS A MIM por me encontrar numa nova fase de vida e pura e simplesmente não sentir alegria por isso;
PARABÉNS A MIM por viver assombrada pelos fantasmas do passado, não conseguindo ultrapassar uma relação que nunca foi uma relação, apenas uma ilusão da minha cabeça ingénua da altura;
PARABÉNS A MIM por viver completamente apática em relação a tudo o que me rodeia;
PARABÉNS A MIM por achar que a minha vocação é letras e encontrar-me na área de veterinária;
PARABÉNS A MIM  por achar a generalidade das pessoas desinteressantes, incultas, interesseiras, fúteis e falsas;
PARABÉNS A MIM por ter graves problemas de comunicação oral;
PARABÉNS A MIM por não aguentar estar durante 2 horas na vila onde nasci e estudei durante oito anos, sem ficar completamente angustiada e ansiosa por voltar para a cidade;
PARABÉNS A MIM por estar a redigir todas as minhas lamurias em vez de aproveitar a vida que tenho e que poderia ser bem pior (ex. podia ser uma subnutrida do 3º mundo)!!! -.-'

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Século XXI: a reflexão sobre os últimos 10 anos e a revolução da classe mendicante

 Sejam bem-vindos ao século XXI, o século de grandes revoluções tecnológicas e sociais!
Apertem bem os cintos porque a viagem na máquina do tempo vai começar...
E esta viagem começa com a passagem do ano de 1999 para o ano de 2000: um ano por muitos aguardado com tanta expectativa e, por muitos outros temido...
Em primeiro lugar, a humanidade pode respirar de alívio porque o mundo não acabou, pelo menos, por enquanto, ainda falta a grande ameaça prevista pelos Maias: o fim do mundo em 2012.
Mas, superstições à parte, o inicio deste novo século promissor trouxe consigo a invasão chinesa na Europa, devido ao facto de o acordo existente entre chineses e Europeus, que impelia os primeiros de invadir os segundos com as suas mais diversas criações inúteis, ter expirado, precisamente, quando deram as doze badaladas e nenhuma cabeça pensante do Velho Mundo lembrou-se de, enquanto bebia o seu champanhe e comia as doze passas, renovar o acordo existente anteriormente e, como tal, nada impediu que os chineses viessem de armas e bagagens enraizarem-se no Velho Mundo. Como consequência, até na vila, que mais parece um cemitério árabe, de um país em forma de rectângulo existem umas 3 ou 4 lojas chinesas, como se houvesse população para tão exagerado mercado de consumo...
Os anos foram passando com algumas catástrofes naturais pelo meio, um 11 de Setembro,  uma Guerra no Iraque, uma crise económica mundial, um Iphone, o Youtube, algumas pessoas ricas e muitas pessoas pobres...
Estamos no ano de 2010, o mundo tem estado a navegar em águas perigosas, tem se passado muitas vezes pelo cabo das tormentas, literalmente... Contudo, não têm acontecido só coisas más... Ainda não se descobriu a cura para o cancro ou para a SIDA mas, a ciência tem evoluído imenso, em especial nos últimos anos com a grande revolução tecnológica que está a acontecer.
Vivemos na era da fibra óptica, do 3D, dos ecrãs da espessura de uma folha de papel, do telemóvel touch, da grande dependência da Internet e das redes sociais. . .
Toda a gente tem em casa, pelo menos, um computador: ele não vive sem nós e nós não conseguimos sobreviver sem ele...
Mas a vida não é um mar de rosas sem espinhos, muito pelo contrário, a vida está cheia de espinhos e, como tal, apesar de tanta evolução tecnológica o pobre está cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico e isto explica-se com o facto de existir "justiça" e "igualdade" de direitos no mundo, obviamente...
Ainda que, a tendência para que existam cada vez mais pessoas a viver na miséria extrema seja elevada, trouxe algo de bom... Sim, nem tudo são más noticias, pois se até agora os mendigos, tal como os conhecemos, vivem nas ruas, vão "comprar" comida aos caixotes do lixo entre outros costumes desta cultura... no futuro próximo, dado que estamos num século de progressos tecnológicos, aqueles que passarem a pertencer à classe mendicante vão revolucionar os costumes e tradições inerentes a um mendigo porque, no futuro os mendigos vão ter nos seus bancos de jardim um computador portátil com acesso à Internet via wireless, ouvir musica nos seus Ipods entre outros... E isto avizinha-se porque a sociedade está organizada de tal ordem que muita gente não vai conseguir manter o seu nível de vida nos próximos anos indo, irremediavelmente, parar à pobreza extrema, a sua sorte é que levam como companhia os seus "animais de estimação" porque não há ninguém, actualmente, que consiga sobreviver sem um ser mecanizado. 
Conseguimos estar dias sem comer mas não conseguimos passar um minuto sem ir publicar algo no facebook...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Palavras

Hoje recuso -me a usar palavras! Estou cansada de associar letras umas às outras para formar parabolas, ou parabolés, ou words, ou paroles, ou 話, ou worte. . . 
Porque dependemos nós de uma parabola para podermos expressar-mos? Já não basta as parábolas que os matemáticos inventam para comunicar entre si porque é que os eruditos que, para se mostrar poliglotas, aprendem o latim só para usarem as parábolas?
As palavras servem para expressar partes do que nosso fantástico cérebro maquina; expressam emoções, vontades, ordens, receios. . . tudo e mais alguma coisa e quando não existe a palavra que mais se adequa aos devaneios do nosso meio cognitivo maltratamos a língua materna e inventamos novas palavras...
Sendo o Homem um ser superior, acima de todas as coisas até de Deus, capaz de destruir aquilo que levou triliões de anos a construir - o planeta Terra - consegue ser dominado por algo tão simples como uma palavra. É  a ironia do destino, inventou o Homem o alfabeto para se poder expressar em sociedade, pensado ele que dominava a sua própria criação mas o que veio a acontecer é que são as palavras que vieram a dominar, e tal ideia serve de analogia com a criação divina, pois criou Deus Adão e Eva e colocou-os no paraíso para Sua alegria mas, a história conta que Adão e Eva, seduzidos por Lucifer, desobedeceram a Deus. Ora tendo Este perdido o controlo da Sua obra expulsou-os do seu paraíso . . . Não diz na bíblia mas julgo que nesse dia Adão e Eva enfureceram Deus, e foi tal a fúria que, como castigo, os descendentes de Adão e Eva foram amaldiçoados e não  posso eu continuar a divagar sobre a criação divina porque é de palavras o tema desta minha modesta reflexão . . . 
Hoje digo que as palavras são egocêntricas, porque é sempre à sua volta que tudo gira até o Homem! As palavras são como o urânio radioactivo: tem de se ter muito cuidado quando e como se utilizam pois basta se pronunciar ou escrever determinada palavra na hora e no sitio errado para que se venha repetir a catástrofe de Chernobyl...
O homem depende das parabolés para dizer aquilo que tem a dizer, sofre quando não ouve ou não lê determinada palavra, mas também se pode rir e ficar feliz quando ouve o que quer ouvir ou lê o que quer ler. Ora sendo o Homem um ser que cuja palavra pode ser escrita em letra maiúscula não consegue dominar a palavra, ele é muitas vezes seu submisso pois obedece ao que a palavra expressa.

sábado, 7 de novembro de 2009

Muito senhora do seu nariz

Num certo planeta, composto por alguns continentes rodeados por oceanos existe uma palavra que se pressupõe especial - LIBERDADE. Supostamente os homo sapiens sapiens têm ao longo das gerações lutado para que esta palavra tivesse algum significado prático e não servisse apenas para ocupar espaço num dicionário...
Não se pode dizer determinadas palavras, ter determinadas atitudes sem que se seja alvo de criticas, mas sempre foi assim desde os primórdios  da existência humana como ela se conhece hoje.
Infelizmente, houve épocas em que a opressão dominava, contudo pressupõe-se que no presente século a liberdade - mesmo que condicionada, pois por muito livres que sejamos não podemos ou não deveríamos agir a nosso belo prazer prejudicando a aparente harmonia social em que se vive (falo obviamente dos países desenvolvidos porque se me referisse ao Iraque, por exemplo, precisaria de uma G3 para fazer o que quer que fosse) - foi, por nós descobridores da época moderna, conquistada!
Se a herança deixada pelos nossos antepassados foi completamente gasta, e todos os valores morais encontram-se de pernas para o ar ao ponto de uma pessoa negra ser presidente da actual maior potencia mundial (e digo isto não por racismo, até acho muito bem que algo deste género tenha acontecido), porque é que a liberdade de expressão ainda é algo tão contestado? Ou seja, a liberdade individual é condicionada pela liberdade colectiva, mas se dentro destes condicionamentos alguém age livremente porque é que é logo censurado?
Quando aparece uma 'senhora muito dona do seu nariz' que se recusa a enquadrar-se nos padrões normais da sua sociedade e que age como legitima dona do seu corpo é logo alvo de exclusão, criticas ou até chacota por parte de pessoas sem o mínimo de literacia ou, até têm literacia porque estudam mas mesmo assim não passam de pessoas sem visão. Quem é que pensam que são para condenar os outros, esquecendo-se que as suas próprias casas têm telhados de vidro, e queira Deus que eles não se venham a partir? 
Essas pessoas sensíveis ficam chocadas por existir alguém que é diferente, que não quer ser um clone delas e para viver menos mal consigo própria não finge ser o que não é... Mas depois pergunto-me se essas pessoas sensíveis não terão é inveja daqueles que criticam, pois gostariam de ser donas do seu nariz mas não têm coragem para sê-lo porque foram ensinadas a ser 'pavões sociais', e quero com isto dizer, não passarem de pessoas que se exibem enquanto desfilam pelo corredor da vida e apenas desejam ser contempladas e amadas por toda a gente... É certo que se se passar a vida com sorrisozinhos e abracinhos  e mais umas quantas palavras terminadas em -inhos consegue-se cativar as pessoas...mas, quando aparece alguém que não é um pavão acaba por chamar mais à atenção do que essas pessoas sensíveis que se acham donas da moral e dos bons costumes. Chega a ser irónico, porque querem ser o centro de todas as atenções mas só pelo facto de apontarem o dedo a uma 'pessoa teimosa' acabam por desviar todos os holofotes para a pessoa que condenam...


"Não sou um exemplo do que é viver neste mundo"
José Saramago

domingo, 1 de novembro de 2009

A Ressureição do que nunca morreu

Sei que a blogosfera tornou-se num lugar demasiado ordinário após a minha a minha repentina partida, como tal, sendo eu um ser misericordioso resolvi voltar a postar as minhas reflexões paradoxais e iluminar o que está  in nesta época...
À semelhança da maioria das personagens de Gossip Girl, a minha vida é tumultuosa, instável e por vezes previsível: existe sempre algo de novo para divertir os inimigos, e despertar pena naqueles que são, ou deveriam ser, amigos...
Desconheço se a noticia já percorre as bocas do inferno mas, caso isso já aconteceu (algo que não me surpreende), devo dizer que sou uma assassina: sei que 'ela' silenciosamente conspira contra mim e prepara um ataque para me liquidar,o que significa que a vou matar antes que 'ela' me mate a mim...
Fica aqui a promessa que eu não vou dar o prazer à humanidade de se ver livre da minha brilhante pessoa ;)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vicio viciante...

Querer o impossível...
Desejar o indesejável...
Amar o que não merece ser amado...
Dizer a verdade à mentira e esperar que ela mude...
Tornar único o que é banal...
Compreender o incompreensível...
Perdoar o imperdoável...
Tornar a ilusão em realidade...
Ir morrendo aos poucos pensando que se é vivo...
Querer conquistar o que não pode ser conquistado...
Ver o invisível...

Quando se vive sobre o efeito da droga é se incapaz de distinguir o real do idealizado; sofre-se sem saber porque se sofre...
  A alucinação toma conta do 'amoródependente' e este fica incapacitado de raciocinar e ver a verdade, este é o maior e pior efeito secundário que a droga denominada de 'amor estragado' pode provocar numa pessoa...
O vicio toma conta do corpo e o corpo toma conta do vicio numa espécie de relação intrínseca entre ambos onde um não consegue viver sem o outro. Esta relação é tão perigosa como uma bomba nuclear: quando menos se espera dá-se uma explosão onde os mais ingénuos e fracos acabam por morrer...
Quem quer morrer só?
Acredita-se que ninguém... deve ser por isso que as boas pessoas humilham-se constantemente na tentativa de obter o amor daqueles que querem ser amados mas que não sabem amar!
É triste e chega a dar pena ver-se algumas pessoas a correr atrás de alguém e esse alguém, sem a mínima consideração, não querendo sair do seu pedestal, apedreja quem corre atrás...



"First you say you love me
Then you want to leave me
Then you say you're sorry
You play the game so well
I bought your illusion
You're the greatest salesman
How could I refuse you
When you sold it to yourself?
"


MADONNA, Voices  (album Hard Candy)